Sem queda no movimento, churrascarias atestam força da carne

Para garantir carne de qualidade à mesa, visitas a fornecedores e compra de produto fresco fazem parte do cotidiano dos restaurantes

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Sábado, 25 de Março de 2017 - 05h24

Uma semana após a Operação Carne Fraca vir à tona, não chega a ser de insegurança o clima de empresas que dependem exclusivamente da carne para se manter no mercado. Em algumas das principais churrascarias de Campo Grande, a ordem é mostrar que de fraca a carne não tem nada, já que o churrasco ainda é forte na mesa do consumidor.

A Churrascaria Figueira, na Avenida Cônsul Assaf Trad, está há 16 anos no mercado e, apesar dos impactos para a economia nacional, lá o consumo da carne no local não sofreu alteração de uma semana para cá. No local, são servidos em média 200 rodízios ao dia e o consumo de carne mensal ultrapassa os 4,5 mil quilos.

“Não notamos diferença alguma de público, o fim de semana foi de salão cheio e nos dias seguintes o movimento foi normal. Não acredito que esse problema vai impactar no consumo dos restaurantes”, avalia João Francisco Fornari Denardi, proprietário do Figueira.

Mas não há como negar que a situação resultou em novas posturas por parte do consumidor. Quem antes se preocupava apenas em escolher o melhor corte ou a carne mais saborosa, agora, mesmo em tom de brincadeira, questiona a origem da carne.

“Os clientes brincaram muito durante a semana, em geral curiosos se o movimento caiu, de onde é a carne, mas tudo em tom de brincadeira”, comenta.

Já a churrascaria Bezerro de Ouro, localizada na Chácara Cachoeira, sentiu o impacto da operação nos primeiros dias. Com consumo médio de 2,5 mil kg de carne ao mês e comercialização de até 300 rodízios em dias mais movimentados, entre os dias 18 e 19 de março, logo após a divulgação da operação, o salão ficou em média 20% mais vazio.

“Nos primeiros dias sentimos que as pessoas recuaram e nem era fim de mês, então foi reflexo desse escândalo, mas esta semana já recuperou. Acreditamos que não haverá mais danos diretos no consumo”, avalia o proprietário do restaurante, Renato Meneghini.

Os impactos – Opinião unânime entre os empresários. Para eles, houve exagero na operação, onde empresas idôneas foram envolvidas e julgadas por falhas de outras.

“Não podemos julgar 4,800 frigoríficos que existem no Brasil por causa de algumas unidades. Foi uma estupidez o modo como aconteceu. Para a economia nacional vai ser um rombo”, avalia Meneghini.

Já João Francisco Fornari Denardi, avalia que apesar do susto inicial, houve esclarecimento por parte da mídia. Contudo, acredita que os pecuaristas devem amargar grandes problemas.

“Houve alguns exageros, mas depois a mídia esclareceu bem. Essa crise pode até não impactar tanto para nós, empresários, mas com certeza os produtores vão sofrer e isso vai refletir na economia, como já estamos vendo”, avalia o empresário.

Fonte: Elci Holsback

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