Planalto vê com apreensão escolha de Zveiter para relatar denúncia

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Quarta-Feira, 05 de Julho de 2017 - 08h57

No Palácio do Planalto, a escolha do deputado Sergio Zveiter foi vista com apreensão.

O Planalto ficou frustrado. A escolha do relator não saiu como o presidente Michel Temer queria. Mesmo sendo do PMDB, partido do presidente, os palacianos sabem que o deputado Sergio Zveiter é de uma ala independente do partido. Por isso, nunca foi o favorito.

O Planalto apostou todas fichas em Jones Martins, que contou até com apoio financeiro de Temer na campanha de 2014. A escolha de Zveiter é vista com apreensão. Ele é novo no PMDB.

O presidente Michel Temer amanheceu e anoiteceu recebendo parlamentares. Desde às 8h, uma audiência atrás da outra. Algumas delas com deputados titulares e suplentes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

As agendas dos ministros da Casa Civil, Secretaria de Governo e Secretaria Geral foram suspensas. Os ministros despacharam com Temer, no gabinete presidencial.

O Planalto fez um verdadeiro mutirão de convencimento. Para garantir votos dos aliados duvidosos, dos insatisfeitos, usou os velhos argumentos: cargos e verbas. Temer já está acelerando o passo, tentando assegurar o placar no plenário da Câmara.

A oposição critica o assédio do Planalto sobre os deputados.

“Eu espero que nenhum deputado coloque a sua consciência à venda, coloque a sua coerência, a sua relação com a verdade à venda por emendas parlamentares, por cargos, aceite a pressão e o assédio que está sendo feito agora, neste momento, no Palácio do Planalto”, disse o deputado Paulo Teixeira, do PT-SP.

Mas há quem veja essa estratégia como natural. “É previsível, até, que o Planalto vá monitorar e fazer conta todo dia no sentido de tentar sentir qual é a tendência de cada deputado, de cada deputada. Por outro lado, cresce na opinião pública, os fatos mais recentes também revelam um certo constrangimento para o Planalto”, afirmou o deputado Arnaldo Jordy, do PPS-PA.

Nessa empreitada, vale pedir ajuda até para quem o Planalto prefere esconder da agenda oficial. Como o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão e que domina o PR. A repórter Andréia Sadi, da GloboNews, revelou que Costa Neto foi recebido por Temer na noite de segunda-feira (3), junto com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella.

Nesta terça-feira (4), no meio da tarde, Temer recebeu o deputado Paulo Maluf, do PP, condenado por lavagem de dinheiro. Quando questionado, o Planalto incluiu, retroativamente, o nome de Maluf na agenda.

A defesa de Temer também se mobilizou. Um dos advogados, Gustavo Guedes, foi à Câmara para acertar os detalhes da entrega, na quarta-feira (5), dos argumentos contra a denúncia. O documento está sendo finalizado pelo advogado Antônio Mariz, em São Paulo.

São umas 100 páginas, alegando que a prova principal, a gravação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, é ilegal. A defesa quer fazer sustentação oral na CCJ. “Eu vim entender qual o prazo, qual o momento, como vai se dar isso”, disse Gustavo Guedes.

Temer e Gilmar voltam a se reunir fora da agenda oficial

O presidente Michel Temer e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, voltaram a se reunir fora da agenda oficial do Palácio do Planalto. O ministro Gilmar Mendes disse que eles discutiram a ampliação da biometria nas eleições de 2018.

Como ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes vai participar do julgamento da denúncia contra o presidente Temer. Na semana passada, os dois já tinham se reunido na casa de Gilmar Mendes sem que o compromisso fosse registrado nas agendas oficiais deles. A TV Globo apurou que eles trataram da indicação de Raquel Dodge para a Procuradoria Geral da República.

Fonte: Globo

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