Jogo de forças entre JBS e demais frigoríficos derruba preço da carne

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Quarta-Feira, 25 de Outubro de 2017 - 17h58

Jogo de forças entre a JBS, que perde mercado em Mato Grosso do Sul, e os demais frigoríficos derrubou o preço da carne no atacado e no varejo. Na comparação com outubro do ano passado, o valor médio do alimento caiu até 29,45% nos açougues e supermercados de Campo Grande e a arroba do boi gordo teve queda de 5,6%, recuando para a cotação em quatro anos.

De 19 cortes considerados em pesquisa, realizada pela Uniderp, 11 apresentaram quedas nos preços médios neste mês em relação a igual período do ano passado. As deflações mais expressivas foram as seguintes: rabada (-29,45%, de R$ 18,78 para R$ 13,25), fígado (-21,52%, de R$ 11,20 para R$ 8,79), músculo (-15,85%, de R$ 17,48 para R$ 14,71) e alcatra (-15,35%, de R$ 28,86 para R$ 24,43).

O comportamento dos preços no varejo é reflexo do que ocorre na indústria. De acordo com o Agrolink, a arroba do boi gordo está cotada, na média deste mês, a R$ 134 em Mato Grosso do Sul. O valor é 5,66% inferior de outubro de 2016 (R$ 142,05) e o menor desde 2014, quando estava em R$ 127,44.

Produção menor – Não só os preços caem, mas também a produção da JBS. Conforme a SFA/MS (Superintendência Federal de Agricultura em Mato Grosso do Sul), os frigoríficos do grupo no Estado abateram, em setembro, 80.436 bovinos. O número é 39% inferior ao de agosto, quando foram abatidos 111.928 animais.

No acumulado do ano, os abates das unidades do grupo caíram 12,26%, de 1.072.258 em 2016 para 940.772 em 2017 (no comparativo de janeiro a setembro). Em números absolutos, são 131.486 bovinos a menos. No total, o volume aumentou (embora, levemente), de 2.330.769 para 2.342.545 animais.

Na avaliação de Júlio Brissac, analista-chefe e estrategista de mercado pecuário da Rural Business, a redução da participação da JBS no mercado fez com que a líder mundial no processamento de proteína animal reduzisse seus preços em queda de braços com as concorrentes. No entanto, a concorrência, ainda segundo o analista, tem respondido com a mesma moeda.

Tributação – Nessa disputa de forças, os produtores terminam perdendo, pois vendem o gado por preços menores. E o agravante, conforme Brissac, é o retorno da alíquota cheia do ICMS incidente sobre a comercialização dos bovinos.

Em junho deste ano, a pedido dos pecuaristas, o governo de Mato Grosso do Sul reduziu a alíquota do ICMS, incidente nas operações interestaduais de gado em pé, de 12% para 7%. A tributação menor valeu por 90 dias, voltando, agora, aos 12%.

“Com isso, os produtores ficam reféns dos frigoríficos do Estado”, comentou Brissac. Ele explica que as indústrias de fora não têm interesse em pagar imposto maior quando podem ser tributadas por valores menores – a alíquota de Goiás, por exemplo, está em 7%. A consequência é retração de preços pagos pelos frigoríficos aos pecuaristas.

Fonte: CG News

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