PF cumpre reintegração de posse e área ocupada por índios em Caarapó

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Sexta-Feira, 06 de Abril de 2018 - 08h08

Não houve acordo entre a Polícia Federal e os índios que ocupam fazendas no município de Caarapó, a 283 km de Campo Grande, sobre a desocupação de duas áreas, cuja reintegração de posse foi determinada pela Justiça. Sem decisão sobre uma saída amigável, a PF prepara uma operação para fazer o despejo forçado.

As áreas fazem parte de 11 propriedades invadidas em junho de 2016, após o confronto entre índios e fazendeiros. O agente de saúde indígena Clodiodi Aquiles de Souza, 23, foi morto a tiros e outros seis índios ficaram feridos. O conflito ocorreu na fazenda Yvu, que segue ocupada.

“Tentamos de todas as formas convencer a comunidade sobre a importância de se evitar a reintegração com força policial, que é sempre muito traumática. Os índios têm um orgulho pela terra e isso dificulta a saída. Eles entendem que a ordem judicial não tem de ser cumprida por estarem nas terras que sempre lhes pertenceram”, afirmou na manhã de hoje (6) o delegado federal Luiz Carlos Porto.

Especialista em negociar com índios em todo o país, Porto faz parte do serviço de repressão a crimes contra comunidades indígenas da PF e veio de Brasília para conversar com as tribos de Caarapó. “Conheço bem essa região e posso afirmar que Mato Grosso do Sul é o pior local do Brasil na atualidade em relação aos conflitos entre índios e fazendeiros por terra”, declarou o delegado em entrevista coletiva na sede da PF em Dourados.

Sem um acordo, Luiz Carlos Porto afirmou que em breve a PF terá de cumprir a ordem judicial, com apoio da Polícia Militar. Entretanto, ele não quis afirmar em que dia haverá o despejo. “Ainda esperamos uma saída pacífica”.

“A situação é de conflito em Caarapó. As áreas onde haverá a reintegração ficam ao lado da Aldeia Tey Kuê, que tem uma população enorme. Há muitas mulheres e crianças nas duas áreas, por isso estamos nos cercando de todos os cuidados para evitar uma operação atabalhoada semelhante a de Sidrolândia”, declarou o delegado.

No dia 30 de maio de 2013, durante reintegração de posse da fazenda Buriti, o Terena Oziel Gabriel, 35, foi baleado no peito e morreu após confronto envolvendo policiais federais e militares.

Segundo Luiz Carlos Porto, as duas áreas com reintegração a ser cumprida são a fazenda Santa Maria e uma parte da fazenda Novilho. A preocupação maior é a Santa Maria, onde fica o acampamento Guapoy.

“É uma área muito sensível, de acesso para as grandes fazendas da região. Os índios trancaram a estrada, tem um grupo grande nesse local, onde ocupam residências e depósitos. Essa fazenda é ponto de orgulho pelo embate que tiveram em 2016”, explicou o delegado, que se reuniu por várias vezes nesta semana com lideranças das áreas invadidas.

Fonte: Redação e CG News

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