Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019

Acordos com China têm impacto direto sobre balança comercial de MS


China já é o principal parceiro comercial do Estado com 41,5% das exportações
Celulose é o carro-chefe nas exportações para China e renderam quase US$ 1 bi neste ano

Os acordos de livre comércio que poderão ser implementados com a China irão impulsionar ainda mais os números de exportação e importação do Mato Grosso do Sul. O país asiático comprou neste ano até outubro do Estado o equivalente US$ 1,8 bilhão em produtos respondendo por 41,5% do total de vendas externas. O maior foco dos chineses está na celulose, que totalizou US$ 994,4 milhões de janeiro a outubro e a soja em segundo lugar, com US$ 746 milhões em vendas no mesmo período. Já o mercado de carnes vêm em terceiro lugar com US$ 49,6 milhões.

A China é o maior parceiro comercial do Estado atualmente, assim como do Brasil. Em 2018, o fluxo de comércio entre Brasil e China alcançou a marca de US$ 98,9 bilhões.

Entre os atos assinados esta semana estão protocolos sanitários para exportação de pera da China ao Brasil e de melão do Brasil para a China. Também foi firmado um plano de ação na área de agricultura, de 2019 a 2023, nas áreas de políticas agrícolas; inovação científica e tecnológica; investimento agrícola; comércio agrícola; entre outras.

No setor de transporte, foi assinado memorando de entendimento para o compartilhamento de boas práticas, políticas públicas e estratégias para o seu desenvolvimento. Prioritário para o Brasil, o governo entende que pode se beneficiar da experiência dos chineses, considerando que a China é uma das líderes mundiais no setor.

Carnes

Na terça-feira, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou que 13 plantas frigoríficas foram aprovadas para exportar para a China. Segundo a ministra, foram autorizados 5 frigoríficos produtores de carne suína, 5 de carne bovina e 3 de aves. Um deles está situado em território sul-mato-grossense, o Frigorífico Sul em Aparecida do Taboado.

As nova aprovações ocorrem à medida que o país asiático lida com uma escassez de oferta de carne suína após seu rebanho ter sido reduzido pela peste suína africana. Para a associação que representa os exportadores de carne suína e de frango, ABPA, a habilitação deve ampliar ainda mais a importância da China na pauta exportadora de proteína animal.

Agora, o Brasil passa a contar com 16 plantas habilitadas para exportar carne suína, e 46 plantas para embarques de carne de frango. Desde janeiro deste ano, a China assumiu a liderança entre os principais destinos das exportações da avicultura e da suinocultura do Brasil. Ao todo, 31,4% da carne suína e 13,3% da carne de frango exportadas pelo Brasil em 2019 foram embarcadas com destino à China.

Abertura

Na avaliação do consultor em comércio Exterior Aldo Barrigosse, os acordos representam a possibilidade de mais investimento pelas empresas, mais emprego para a população. “Teremos produtos de melhor qualidade sendo ofertados, pois a tendência é aumentar a concorrência com o livre comércio”, enfatizou.

Ele destaca que a finalidade do livre comércio é reduzir ou eliminar as taxas alfandegárias entre países, com objetivo de estimular o comércio entre os países participantes. “Certamente teremos perda de arrecadação de impostos/taxas pelo lado do Brasil, comparando com a realidade de hoje, mas temos que pensar no longo prazo, que poderemos multiplicar nossas relações comerciais em muitas vezes com eles (China), impactando diretamente em nosso PIB”, avaliou Barrigosse .

Para o consultor o Brasil tem que estar mais aberto para a integração internacional de negócios. “Hoje somos muito fechados. A atual politica brasileira vem trabalhando para maior abertura do nosso País. Quanto mais rápido isso acontecer, mais iremos crescer . Mais investimentos externos, mais renda, mais tecnologia, mais emprego e maior a competitividade das empresas/produtos”, finalizou.

Investimentos

O país asiático também é um dos principais investidores em áreas cruciais no Brasil, como infraestrutura e energia. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, os chineses já mantém uma planta esmagadora de milho, parcialmente finalizada em Maracaju. O projeto do grupo BBCA teve início em 2013 com investimentos de R$ 1,2 bilhão e finalmente deve operar a partir do próximo ano.
A partir de dezembro, a indústria, que produzirá amido de milho, entrará em operação. Está primeira unidade consumiu US$ 100 milhões de dólares em investimentos.
Na cidade o grupo já começou a compra de milho que são armazenados em dois silos, de 60 mil toneladas cada um.


Fonte: Campo Grande News