Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019

Produtores do Estado buscaram R$ 9,2 bilhões em crédito rural


R$ 6,477 bilhões são referentes a créditos de custeio - Foto: Valdenir Rezende.

A descapitalização do campo levou os produtores rurais de Mato Grosso do Sul a ampliarem a busca de crédito apenas para custeio das propriedades. No ano passado, foram contratados no Estado R$ 9,27 bilhões em recursos de crédito rural, incluindo o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), distribuídos em 35 mil contratos.

Do total, R$ 6,477 bilhões são referentes a créditos de custeio, R$ 2,168 bilhões a créditos de investimento e R$ 631 milhões direcionados para comercialização. Os dados são do Banco Central. Ou seja, quase 70% de todo recurso demandado em MS foi para custear a agropecuária.

O aumento pela procura pelo custeio no Estado está relacionado às dificuldades dos produtores para se manterem na atividade, com alta no custo de produção, preços oscilantes e, consequentemente, menor investimento na atividade.
Somente no primeiro trimestre de 2019, Mato Grosso do Sul contratou R$ 1,469 bilhão em recursos por meio de 6.452 projetos, sendo R$ 854 milhões de custeio, R$ 403 milhões de investimento e R$ 212 milhões de recursos para comercialização.

Segundo a veterinária Ana Claudia Régis Ruzzon, da RuralTec, empresa especializada na assistência em projetos de crédito rural, os dados do Banco Central comprovam que é viável para o produtor rural contrair recursos via crédito rural, já que a taxa de juros é baixíssima se comparada a outras taxas oferecidas no mercado, mas é preciso planejamento para não se endividar. Os juros no crédito para custeio, segundo ela, variam de 6% a 7% ao ano.

“Os números mostram que a contratação de recursos de custeio é muito superior à contratação de investimentos, e esse cenário é preocupante, já que o prazo para pagamento é pequeno, em torno de um a dois anos. Em linhas de investimento como o FCO, por exemplo, é possível contratar recursos com até 15 anos para pagamento e até 4 anos de carência, o que possibilita que o produtor se organize e faça um planejamento, trabalhando de acordo com seu fluxo de caixa e evitando o aumento de seu endividamento, principalmente em curto prazo”, explica a especialista.

 


Fonte: Correio Rural