Quinta-Feira, 09 de Julho de 2020

Ibovespa sobe, mas perde força com novos casos de covid-19 nos EUA


Promessa de cumprimento de acordo comercial por parte da China e estímulos europeus sustentam tom positivo

A bolsa brasileira reduziu o movimento de alta da manhã desta sexta-feira,19, após os estados americanos de Flórida e Arizona voltarem a registrar recordes de casos diários de coronavírus. Às 13h54, o Ibovespa, principal índice de ações, subia 0,38% e marcava 96.490,60 pontos. A queda do índice ocorreu em sintonia com o S&P 500, dos EUA, que virou para queda.

Os EUA, que é o país com o maior número infectados e mortos por coronavírus, vêm enfrentado um acentuado crescimento do número de casos desde que optou por reabrir sua economia, frustrando parte do bom humor com as reaberturas, que impulsionou as bolsas de valores entre abril e maio. Ainda assim, não há a expectativa de novo lockdown no país, tendo em vista que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, já afastou a possibilidade. Mesmo assim, a Apple já ordenou o fechamento de lojas nos EUA em rezão do aumento do número de casos.

Também está no radar dos investidores, o discurso de Randal Quarles, membro do Federal Reserve (Fed), que voltou a adicionar incertezas sobre a recuperação da maior economia do mundo.

“O aumento de casos em estados que fizeram uma flexibilização gera toda uma dúvida sobre a possibilidade de uma segunda onda. Tem sido sempre isso e o discurso mais ponderado do Fed os motivos para realização de lucros. Mas as notícias positivas da madrugada continuam se sobrepondo”, disse Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

Mais cedo, o Ibovespa chegou a superar os 97 mil pontos, apoiado pelo otimismo com o cumprimento da “fase um” do acordo comercial entre China e EUA e com a possibilidade de novos estímulos na Europa.

Após a reunião com o representante do governo chinês, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou, no Twitter, que a China se comprometeu a honrar o acordo comercial selado no início do ano. Segundo a Bloomberg, a China deve acelerar a compra de produtos agrícolas, como milho, soja e etanol, para concluir os objetivos do acordo. Nos quatro primeiros meses do ano, a China só havia cumprido 13% da meta de compras estabelecida no acordo.

Para analistas da Exame Research, a notícia é positiva e aumenta o apetite a risco dos investidores, já que ajuda, pelo menos no curto prazo, a reduzir a possibilidade de um rompimento comercial entre as duas potências. Na véspera, o presidente Donald Trump falou sobre “cortar todas as pontes com a China”.

O mercado também repercute positivamente o fundo de recuperação da União Europeia de 750 bilhões de euros. A medida é apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, que deseja que o estímulo saia do papel até o fim de julho, com o intuito de aliviar os efeitos econômicos da pandemia. Contudo,  o pacote de recuperação ainda precisa ser discutido no Conselho Europeu.

No cenário interno, a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, continua no radar dos investidores. Embora, no mercado, exista a percepção de enfraquecimento do clã Bolsonaro, as reações à prisão foram comedidas, devido à recente aproximação do presidente Jair Bolsonaro com parlamentares do chamado Centrão.

“Até o momento, um eventual afastamento não representa um ameaça iminente para Bolsonaro – principalmente em meio uma pandemia – mas caso as narrativas continuem a deteriorar, a aprovação do presidente atingirá um perigoso patamar de fragilidade, tornando as perspectivas de um eventual processo de impeachment ou cassação mais palpáveis”, afirmam analistas da Guide Investimentos em relatório.

“O mercado ignora um pouco a história do Fabrício Queiroz, que é tensa, mas não se sabe ainda os desdobramentos. Esse cenário político pior acaba refletindo muito mais no câmbio. Na bolsa, por conta dessa taxa de juros mais baixa, vai ignorado”, disse Rodrigo Marcatti, sócio da Veedha Investimentos.

Na bolsa, o destaque fica para as ações da Usiminas, que sobem mais de 5%, após analistas do Bradesco BBI elevarem a recomendação do ativo para “neutro”, com potencial de valorização de 7%. Já os papéis da CVC avançam quase 4%, tendo como pano de fundo a expectativa de a empresa retomar por completo suas atividades até o início de julho. Em entrevista ao Valor, o presidente da companhia afirmou que já clientes com datas de embarque para julho.

Entre as ações com maior peso no Ibovespa, as da Petrobras sobem cerca de 1% e ajudam a sustentar a alta do índice. No radar, está a valorização do barril de petróleo, com a perspectiva de retomada da demanda e após Iraque e o Cazaquistão apresentarem planos de compensação de cortes de produção por terem burlado o acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+).


Fonte: Exame