Quinta-Feira, 06 de Agosto de 2020

Na fronteira, 400 lojas fecham e 6 mil vagas são extintas


Comerciantes protestaram durante a semana pela reabertura da divisa entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero
GÊMEAS. Consideradas cidades-irmãs, Ponta Porã e Pedro Juan Caballero estão há quase quatro meses separadas por barreiras. Foto: google

A fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero está fechada há quatro meses. De acordo com a Câmara de Comércio e Turismo de Pedro Juan Caballero, o segmento já registra cerca de 400 lojas fechadas no período em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A semana foi marcada de protestos por parte dos comerciantes.

Na madrugada de sexta-feira (17), foram queimados pneus para impedir o cruzamento da fronteira. Ainda no mesmo dia, comerciantes fizeram filas de carros com buzinaço pedindo a reabertura da faixa fronteiriça. “Tivemos mais de 70% das lojas fechadas e as que estão trabalhando operam com apenas 25% da capacidade. São quase 400 lojas que já foram fechadas e o número pode ficar ainda maior. Muitos empresários brasileiros tiveram de fechar as portas”, explicou o presidente da Câmara de Comércio de Pedro Juan Caballero, Victor Barreto.

Outro problema enfrentado por brasileiros é quanto ao desemprego. Com a restrição do trânsito entre os países, brasileiros que trabalham na cidade paraguaia são impedidos de entrar. “O número de desempregados passou de 5 mil e deve chegar a 6 mil, porque estão fechando cada dia mais empresas e postos de trabalho. Os trabalhadores brasileiros que trabalham em lojas paraguaias foram afetados neste sentido”, informou Barreto, que ainda ressaltou que destes quase 6 mil demitidos 30% são brasileiros.

O empresário Amauri Ozório Nunes explicou que foi afetado pelo fechamento da linha internacional que separa as cidades. O comerciante tinha empresas dos dois lados da fronteira, mas, com o impedimento do trânsito entre os países, precisou fechar o comércio do lado paraguaio. “Eu fechei a loja do Paraguai, aqui no Brasil estamos trabalhando normalmente, só perdemos os clientes paraguaios. Fronteira fechada é uma realidade que temos de nos acostumar”, lamentou.


Fonte: Correio do Estado