Domingo, 20 de Setembro de 2020

Bolsonaro cria Centro de Inteligência para enfrentar “ameaças ao Estado”


Centro deverá planejar e executar atividades de inteligência destinadas "ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado e da sociedade"
Bolsonaro: centro deverá planejar e executar atividades de inteligência destinadas "ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado e da sociedade" (Ueslei Marcelino/Reuters)

O presidente Jair Bolsonaro promoveu uma reformulação no quadro de cargos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e criou uma nova unidade no órgão, batizada de Centro de Inteligência Nacional. O ato consta em decreto publicado na sexta-feira passada.

Entre outras atribuições, o centro deverá planejar e executar atividades de inteligência destinadas “ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado e da sociedade” e implementar a “produção de inteligência corrente e a coleta estruturada de dados.”

Também caberá ao Centro de Inteligência Nacional planejar e executar atividades para assessorar os órgãos competentes relacionados a políticas de segurança pública e à identificação de ameaças decorrentes de atividades criminosas, além de realizar pesquisas de segurança para credenciamento e análise de integridade corporativa.

As medidas previstas no decreto entram em vigor no próximo dia 17, quase quatro meses depois que Bolsonaro reclamou da falta de informações de serviços de inteligência e disse que a Abin “tem os seus problemas”, em reunião ministerial no dia 22 de abril. A gravação deste encontro veio à tona no âmbito do inquérito que apura suposta interferência do presidente na Polícia Federal (PF).

Desde então, Bolsonaro chegou a nomear o diretor-geral da agência, Alexandre Ramagem, para comandar a PF, mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impediu sua posse e ele permaneceu à frente do órgão de inteligência.

O ato foi assinado por Bolsonaro e pelo ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ao qual a Abin é subordinada.

De acordo com a Secretaria-Geral da Presidência, responsável por editar o decreto no Diário Oficial da União, o objetivo foi “aumentar eficiência e eficácia da ação administrativa, com condições mais favoráveis para o desenvolvimento do órgão.”

Ainda segundo a pasta, o novo quadro de cargos comissionados foi remanejado sem aumento de despesas. O diretor-geral da Abin terá até 30 dias, depois que o decreto entrar em vigor, para publicar a relação de titulares dos cargos comissionados da nova estrutura.

O ato substituiu a estrutura em vigor desde novembro de 2016, quando o então presidente Michel Temer promoveu outra reestruturação no órgão.


Fonte: EXAME