Quinta-Feira, 03 de Dezembro de 2020

FIFA estabelece licença-maternidade para jogadoras


A FIFA explicou que vai propor em seu conselho de dezembro uma série de medidas que serão aplicadas imediatamente em suas 211 federações
A jogadora americana Alex Morgan grávida na chegada para uma festa em West Hollywood em 5 de março de 2020 (AFP/AFP)

A FIFA anunciou nesta quinta-feira (19) que vai proteger melhor as jogadoras grávidas e impor aos seus 211 países-membros uma licença-maternidade de “pelo menos 14 semanas”, a partir do próximo ano, bem como a proibição de demiti-las.

“Queremos ver mais mulheres jogando futebol e, ao mesmo tempo, terem uma família”, disse Sarai Bareman, chefe do futebol feminino da FIFA, a vários jornalistas após uma reunião do comitê.

A FIFA explicou que vai propor em seu conselho de dezembro uma série de medidas que serão aplicadas imediatamente em suas 211 federações, que no momento oferecem um quadro desigual de acordo com as leis e práticas locais.

A entidade com sede em Zurique não sabia dos “graves problemas” até agora, segundo seu diretor jurídico Emilio García, mas quer “antecipá-los” no momento em que o futebol feminino acelera sua profissionalização.

Os clubes que jogam internacionalmente, portanto sob a jurisdição da FIFA, devem propor uma licença-maternidade de “pelo menos 14 semanas, das quais oito serão após o nascimento”, remuneradas “em pelo menos dois terços de seu salário contratual”.

Durante este período, os clubes poderão contratar uma jogador para substituir a grávida, ainda que fora do período de transferência, com possibilidade de integração a longo prazo, se ambas as partes concordarem.

É proibido “questionar a validade dos seus contratos pelo fato de as jogadoras engravidarem”. Em caso de demissão por este motivo, o clube será sancionado econômica e esportivamente.

Após a licença-maternidade, os clubes deverão “reintegrar as jogadoras e lhes fornecer suporte médico e físico adequado”, disse García.

A jogadora poderá “amamentar, ou tirar o leite”, em “locais adaptados” pelo seu clube.

Jogadoras profissionais que continuam suas carreiras após a gravidez não costumam ter o mesmo sucesso, com exceção de estrelas americanas como Amy Rodríguez, Sydney Leroux ou a artilheira Alex Morgan, que busca participar dos Jogos de Tóquio em 2021 após o parto de uma menina em maio.

A FIFA quer viabilizar a possibilidade de ter filhos em um momento crucial do futebol feminino, quando ganhou intensidade física e profissionalismo, após o boom planetário que foi a Copa do Mundo da França 2019.


Fonte: EXAME