Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 2021

Ideia é boa, mas zerar impostos de soja e milho deve trazer pouco impacto


Brasil já é grande exportador dos grãos e efeitos de curto prazo devem ser pequenos
Até 2021, impostos sobre milho e soja estão zeradoa - Arquivo/Correio do Estado

A decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de zerar as alíquotas do imposto de importação de soja e milho até o ano que vem é benéfica, mas deverá trazer pouco impacto prático para o país, especialmente a Mato Grosso do Sul.

O objetivo da medida foi conter a alta de preços no setor de alimentos, mas o Brasil já tem se colocado entre os grandes exportadores mundiais desses dois tipos de grãos. Além disso, a disponibilidade dos produtos está baixa no mercado internacional.

“Você tem hoje um volume disponível de soja para esmagamento do mercado interno e consequentemente para a produção de óleo e farelo, que vai diretamente para suinocultura e avicultura. O foco é conseguir conter a elevação de preço no mercado interno e garantir o abastecimento, quer dizer, você ter volume necessário para isso”, disse ao Correio do Estado o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck.

Ele considera a medida do Governo Federal extremamente salutar. Ideia semelhante foi aplicada mês passado também ao arroz, que teve as alíquotas congeladas até dezembro. 

“Contudo, na nossa avaliação, o impacto acaba sendo pouco. Por mais que ela tenha efeitos muito pequenos de curto prazo, as importações acabam sendo marginais, talvez até consigamos importar um pouco da Bolívia. No estado de Mato Grosso do Sul já temos pedido de importação de 100 mil toneladas da Argentina e Paraguai”, revelou à reportagem.

Contudo, para se ter o efeito desejado, o ideal será que houvesse uma grande exportação de milho e soja para abastecer os silos brasileiros e baixar os preços no mercado interno, mas o problema será encontrar produto disponível para comprar, já que o desabastecimento é uma realidade global. 

Além disso, há também a variável da taxa de câmbio. “A moeda brasileira já se desvalorizou em mais de 31%. Se de um lado as exportações agora estão competitivas com isso, o problema é trazer itens para o país”, completa Verruck.

Mesmo assim, a medida tem sido usada permanentemente como contrapeso para abastecer ou restringir o mercado interno. “Em Mato Grosso do Sul, a comercialização da soja no próximo ano está bastante sustentável, assim como a do milho”. 


Fonte: Correio do Estado