Sexta-Feira, 15 de Janeiro de 2021

Piscina pode ou não pode ser usada durante a pandemia da covid-19?


A restrição das atividades em clubes, academias e áreas sociais de condomínios tem deixado muita gente a ver navios na hora do mergulho.

Seja para nadar ou apenas dar uma refrescada, muitos se perguntam sobre uma possível contaminação do coronavírus pela água.

Especialistas afastam essa possibilidade, mas insistem que o isolamento social deve permanecer como meta prioritária no combate à Covid-19 mesmo na utilização de piscinas.

“Nadar não é o problema se a pessoa tem piscina em casa, o problema é aglomeração. Qualquer atividade com muitas pessoas não é recomendável”, afirma a pneumologista Ana Marques. 

Com 40 anos de atuação na área, a médica diz que o ideal seria evitar o uso de piscinas cobertas, recomendação que vale para qualquer ambiente fechado. 

“Não consigo entender a necessidade de ir para um clube diante de um vírus cujo comportamento não conhecemos se há restrição nos restaurantes ou até para uma caminhada no Parque dos Poderes.”

Em vários condomínios da cidade, embora as autoridades sanitárias não parem de repetir que o convívio em áreas comuns é o principal fator de contágio, muitos moradores estão desrespeitando as regras e causando dor de cabeça nos síndicos e nos vizinhos que preferem se proteger. 

O funcionamento de clubes e academias está submetido, desde abril, ao decreto municipal que limita o uso a 30% da capacidade dos espaços, medida que vale também para a ocupação das piscinas.

“Para crianças, idosos e pessoas com problemas reumatológicos, a natação é uma excelente atividade física, porém é necessário respeitar o distanciamento social”, reforça a dermatologista Maria das Graças Spengler, especialista em alergias e presidente da Regional Mato Grosso do Sul da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ( Asbai). 

As piscinas de uso normalmente coletivos teriam que ter uma rotina de individualização de horários nos atendimentos, defende Maria das Graças, por conta da extrema necessidade do isolamento. 

“É importante mesmo nas atividades ao ar livre, e com criança é difícil conseguir isso. Então tem que ter cuidado.”

De acordo com as duas médicas, não há relatos de contaminação pelo vírus da Covid-19 em águas de piscina. 

“Parece que os produtos utilizados na desinfecção das piscinas, como o cloro, por exemplo, seriam suficientes também para combater a transmissão. Pela água, em si, não teria nenhum problema, a questão é a aglomeração”, informa a dermatologista. “Vai depender de como as pessoas entram, ou se conversam, porque é preciso a distância mínima de 1,5m”, explica Ana Marques.

A pneumologista adverte que os praticantes de qualquer atividade física não estão isentos de contrair o coronavírus e ter sérias complicações: “o fato de ser atleta pode até garantir uma boa evolução, mas cada organismo é uma caixa de surpresas e vai reagir de um jeito.” 

Maria das Graças pede ainda atenção para as mudanças bruscas de temperatura nessa época do ano. 

“Estamos no inverno, portanto a água muito fria não é conveniente”, afirma. Restam as piscinas aquecidas, mas que, infelizmente, muitas vezes estão instaladas em áreas cobertas.

 


Fonte: Correio do Estado