Terca-Feira, 18 de Maio de 2021

Mato Grosso do Sul desacelera a produção de etanol e dobra a de açúcar


Usinas mudaram o perfil produtivo durante a pandemia e redirecionaram a matéria-prima para produção de açúcar
Falta de chuvas contribuiu para aceleração da colheita - Divulgação/Biosul

Com a pandemia da Covid-19, as usinas que processam cana-de-açúcar mudaram o perfil produtivo. De acordo com a Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) a produção do etanol caiu enquanto a de açúcar mais que dobrou no período.  

Dados da Biosul apontam que até a segunda quinzena de dezembro a produção de etanol somou 2,7 bilhões de litros, volume 13% menor comparado ao ciclo anterior, quando foram produzidos 3,1 bilhões de litros.

Desse total, 2 bilhões de litros correspondem a etanol hidratado (-18%) e 667 milhões de litros de anidro (-4%).

Enquanto a produção de açúcar alcançou 1,73 milhão de toneladas, quantidade 140% maior com relação à safra passada quando foram produzidas 722 mil toneladas.  

O montante da safra atual se aproxima do recorde de produção do alimento no Estado registrado em 2017, quando atingiu 1,74 milhão de toneladas de açúcar.

Segundo a Associação, a matéria-prima destinada para produção de açúcar saltou de 12% para 28% no comparativo com a safra passada. Ainda assim, o percentual para a produção de etanol é de 72%, dentro da média esperada para o Estado, que é o quarto maior produtor do biocombustível no País.

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O presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho, explica que Mato Grosso do Sul vem de duas safras extremamente alcooleiras, “favorecidas pelas condições de mercado, com uma melhor remuneração para o etanol e a consolidação do RenovaBio que fizeram com que o mix de produção do biocombustível chegasse a 90%”.

Ainda de acordo com o presidente, esse cenário mudou no último ano com a chegada da pandemia, fazendo com que as unidades readaptassem esse mix por conta, principalmente, da redução no consumo de combustível, redirecionando a matéria-prima para a produção de açúcar.  

“Para complementar tivemos a valorização do dólar, com alta de 30% com relação a 2019, e as cotações do adoçante que também se comportaram em alta, tornando o mercado internacional novamente atraente para o açúcar”, explica.

SAFRA

A  safra de cana-de-açúcar 2020/2021 acumula 45 milhões de toneladas processadas em Mato Grosso do Sul. A quantidade, contabilizada até 31 de dezembro de 2020, ultrapassa a última temporada que somou 44,2 milhões de toneladas no mesmo período (+1,8%).  

A escassez de chuvas, que prejudicou outras lavouras, contribuiu para o avanço na colheita da cana.  

“Apesar do período de entressafra, o favorecimento do clima permitiu que as unidades em operação progredissem na colheita com mais velocidade no campo, alcançando em termos de quantidade a safra passada”, afirma Hollanda.

Outro destaque da temporada é a melhora da qualidade da matéria-prima que atingiu 142,39 kg por tonelada de cana no período acumulado da safra, aumento de 3,7% na concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR/TC).


Fonte: Correio do Estado