Segunda-Feira, 06 de Dezembro de 2021

Quase 60% dos focos de incêndio no Pantanal foram provocados por ação humana, diz MPMS


Em 2020, mais de 4,5 milhões de hectares foram devastados pelo fogo
Em 2020, mais de 4,5 milhões de hectares do Pantanal foram devastados pelo fogo - Reprodução

Grande  parte dos incêndios registrados no Pantanal, em 2020, tiveram início possivelmente por ações humanas e possuem a probabilidade de ligação com atividades agropastoris, com quase 60% dos focos, conforme aponta levantamento apresentado pelos Ministério Públicos de Mato Grosso (MPMT) e Mato Grosso do Sul (MPMS). 

Dos 4,5 milhões de hectares do Pantanal brasileiro, 30% foi consumido pelo fogo, entre o período de 01/01/2020 a 30/11/2020. O levantamento técnico, para nortear as ações dos órgãos, foi apresentado, em uma live organizada para debater estratégias para este ano, e aponta ainda que as ocorrências se concentraram no período proibitivo, portanto, quando não estavam autorizadas queimas controladas em propriedades rurais.

"O que chama atenção é que boa parte deste incêndio, que prejudicou inúmeros municípios e milhares de propriedades rurais, originou-se em, aproximadamente, 286 pontos de ignição, sendo 152 em propriedades privadas (registradas no CAR), 80 em áreas indígenas, 53 em áreas não identificadas e apenas 1 em unidades de conservação", diz a nota.

O relatório ainda traz que 21 cidades de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso foram atingidas com as queimadas no bioma no ano passado.

Do total de áreas consumidas, 2 milhões de hectares estavam no Mato Grosso do Sul, abrangendo nove municípios, 722 propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), 11 unidades de conservação e três terras indígenas.

Em Mato Grosso, área de 2,5 milhões foi consumida pelo fogo, em 12 municípios, atingindo 1336 propriedades inscritas no CAR, cinco unidades de conservação e três terras indígenas.

A maior parte dos focos, 69,75%, começou em áreas de vegetação rasteira e pastagem, comuns em propriedades rurais. Outros 30,25%, em áreas de vegetação nativa. 

Conforme o levantamento, o ano de 2020 foi o que teve mais registros de fogo no Pantanal, desde o fim da década de 90, quando se iniciou o monitoramento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O ano de 2020 foi o que teve mais registros de fogo no Pantanal desde o fim da década de 90, quando se iniciou o monitoramento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O promotor do Núcleo Ambiental do MPMS, Luciano Furtado Loubet, destaca que o estudo traz caracterização mais nítida sobre o incêndio recorde registrado no Pantanal, mas não é capaz de apontar responsáveis.

“É praticamente impossível, somente com as imagens de satélite, identificar a causa real da ignição desses incêndios. Não é como uma câmera que fica filmando 24h. Sabemos que o incêndio começou, os pontos, mas não tem como constatar efetivamente se foi uma pessoa que riscou um fósforo, alguém que colocou fogo propositalmente, se é um carro que passou e jogou um cigarro e pegou fogo naquela área”, explicou.

O promotor lembrou, no entanto, que em todos estes pontos de ignição foram excluídas questões meteorológicas para a causa dos incêndios, como raios, visto que era período de estiagem severa. 


Fonte: Rafaela Moreira - Correio do Estado