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Da cena do crime ao laboratório: mulheres atuam na produção da prova pericial em MS


Por: Soares Filho | 08/03/2026 09:14

Na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, mulheres participam de diferentes etapas da atividade pericial, desde o atendimento em locais de crime até análises laboratoriais, exames médico-legais e papiloscopia. Atualmente, elas representam cerca de 40% do efetivo da instituição.

Antes que um exame médico seja realizado ou uma identificação seja confirmada, o trabalho técnico começa no local do fato. É ali que vestígios são identificados, registrados e preservados para subsidiar as investigações e orientar os exames que serão realizados posteriormente.

Vestígios e dinâmica do crime

A perita criminal Karla Gonçalves da Cruz, que ingressou na instituição em 2014 e atualmente trabalha no Núcleo de Perícias Externas, no setor de Crimes Contra a Vida, na Capital, explica que a preservação do local é a primeira preocupação da equipe.

“Minha primeira preocupação é identificar a área onde se encontram os vestígios e verificar se essa região está devidamente isolada e preservada. Isso é fundamental para garantir que os elementos presentes no local sejam mantidos íntegros. ”

Com mais de 11 anos de atuação, Karla já trabalhou no Núcleo Regional de Criminalística de Corumbá e no Departamento de Apoio às Unidades Regionais antes de integrar a equipe responsável pelos atendimentos em Campo Grande.

Segundo ela, o trabalho no local exige atenção a todos os elementos presentes na cena, já que nem sempre é possível identificar de imediato quais terão relevância para a investigação.

“Em muitos casos há grande quantidade de elementos no local e naquele momento ainda não é possível identificar completamente o que é relevante. Por isso é essencial realizar um levantamento detalhado e minucioso”, explicou.

Parte do material coletado em locais de crime segue posteriormente para análises especializadas em diferentes áreas da perícia, como DNA, documentoscopia, balística e outras disciplinas técnicas realizadas em laboratórios da Polícia Científica por outras peritas e peritos criminais.

Perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini. 

Exames médico-legais

Na medicina legal, os exames contribuem para esclarecer circunstâncias de diferentes ocorrências.

A perita médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini, que exerce atividades há três anos no Instituto de Medicina e Odontologia Legal e na Casa da Mulher Brasileira, destaca a importância da área na produção da prova técnica.

“O exame médico-legal traz clareza e materialidade sobre os fatos. Ele pode documentar casos de violência física, sexual ou ainda esclarecer a causa de óbitos violentos, como acidentes de trânsito ou homicídios.”

As conclusões são registradas em laudos técnicos elaborados a partir de evidências científicas.

“Um laudo tecnicamente fundamentado reúne todas as conclusões com base em evidências e respeitando o passo a passo pericial para que seja confiável”, afirmou.

Mesmo diante de situações difíceis, ela afirma que o foco permanece no rigor técnico.

“Quando comecei a trabalhar nessa área percebi que é impossível não se sentir incomodada com algumas situações de violência e vulnerabilidade humana. Mas tento me manter focada nas evidências e nos fatos concretos. ”

Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS



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