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Ayla ficou internada por uma semana no Hospital Regional antes de morrer (Foto: reprodução).
Por: Soares Filho | 24/07/2026 10:18
Ayla Godoy de Oliveira, bebê de 3 meses, morreu em junho deste ano após passar uma semana internada em estado gravíssimo no Hospital Regional de Campo Grande. Os pais da criança passaram a responder por homicídio doloso qualificado, e o processo, que tramitava como maus-tratos, foi encaminhado pela Justiça à 1ª Vara do Tribunal do Júri.
O caso foi registrado meses depois de Mato Grosso do Sul encerrar 2025 com a maior taxa de vítimas de maus-tratos contra crianças e adolescentes entre todas as unidades da federação. Os números do ano passado constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nesta quinta-feira (23).
Conforme o levantamento, MS registrou, em 2025, 206,5 vítimas de maus-tratos por 100 mil habitantes de 0 a 17 anos, índice quase três vezes superior à média nacional, de 77,4 por 100 mil. O Estado aparece à frente de Rondônia, com taxa de 197,3 vítimas por 100 mil habitantes; Amapá, com 187,6; Sergipe, com 164,9; e Santa Catarina, com 160,7. Ceará, Rio de Janeiro, Maranhão, Amazonas, Pernambuco e Minas Gerais apresentaram as menores taxas de registros desse tipo de violência.
Em todo o Brasil, 38.986 crianças e adolescentes foram vítimas de maus-tratos em 2025, aumento de 14,6% em relação ao ano anterior. Na comparação com 2021, a alta foi de 106,1%. No mesmo intervalo, a taxa nacional passou de 37,6 para 77,4 vítimas por 100 mil habitantes de até 17 anos.
O levantamento aponta que parte significativa das agressões ocorre no ambiente doméstico ou em relações de cuidado, envolvendo pessoas responsáveis pela proteção das vítimas. Em 2025, os registros de maus-tratos e de lesão corporal em contexto de violência doméstica somaram mais de 60 mil vítimas no País.
A incidência varia conforme a idade. Os maus-tratos atingiram principalmente crianças de 5 a 9 anos, faixa que apresentou taxa de 95,5 vítimas por 100 mil habitantes. Já os casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica foram mais frequentes entre adolescentes de 14 a 17 anos, com taxa de 104 vítimas por 100 mil.
Segundo a análise apresentada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, casos envolvendo agressões praticadas por pais e responsáveis estão inseridos em um quadro mais amplo de violência nas relações familiares e de cuidado.
O Anuário também identificou aumento em outros indicadores de violência contra crianças e adolescentes. Entre 2024 e 2025, os registros de bullying cresceram 68,2%; os de cyberbullying, 61,4%; os de subtração de crianças e adolescentes, 33,7%; os relacionados à produção, posse e compartilhamento de material de abuso sexual infantil, 25,3%; e os de abandono de incapaz, 18,5%. Apenas os registros de estupro e estupro de vulnerável apresentaram redução no período.
