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Uma das mensagens encontradas no celular da adolescente (Foto: Reprodução)
Por: Soares Filho | 04/08/2026 13:08
A morte de uma adolescente de 13 anos, registrada em 22 de julho, em Naviraí, a 359 quilômetros de Campo Grande, deu origem à Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (4), pelo MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) e coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para investigar um grupo suspeito de manipular jovens, disseminar discursos de ódio e incentivar atos de violência em ambientes virtuais.
Segundo as investigações, os integrantes utilizavam plataformas digitais, como Discord e Telegram, para atrair adolescentes e submetê-los à coerção psicológica. O grupo também disseminava conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, principalmente contra mulheres que ocupam cargos de autoridade.
As diligências incluem o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Os materiais e equipamentos recolhidos serão analisados para identificar outros envolvidos e esclarecer a atuação da organização.
A Polícia Civil apura se a adolescente participava de comunidades no Discord e se foi pressionada a cumprir desafios violentos. Os investigadores também buscam esclarecer se integrantes desses grupos incentivaram a menina a cometer suicídio e se a morte ocorreu durante uma transmissão ao vivo em uma comunidade digital.
Após o caso, prints de supostas conversas envolvendo a vítima passaram a circular nas redes sociais. Em uma das mensagens, o texto faz referência ao tempo necessário para convencer a adolescente a fazer um “lulz”, termo usado para indicar uma trolagem ou zombaria contra alguém. A autenticidade das mensagens, a identidade dos autores e a ligação direta do conteúdo com a morte permanecem sob investigação.
A Operação Lívia integra o eixo de enfrentamento à misoginia digital desenvolvido pelo CIMS (Centro Integrado Mulher Segura), com apoio técnico do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), ligado ao Ministério da Justiça.
O objetivo é identificar e desarticular grupos criminosos que utilizam plataformas digitais para disseminar violência, propagar discursos de ódio e praticar crimes contra mulheres, crianças e adolescentes.
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