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Delegados falam sobre desenrolar da investigação. Foto: Clezer Gomes
Por: Soares Filho | 27/08/2026 05:48
Uma trama envolvendo dívidas de tráfico de drogas, negociação falsa de veículos e um atraso de poucos minutos culminou na trágica execução por engano tarde do último dia 7 de agosto, do jovem Vitor Orsini de 19 anos, ocorrida na garagem de veículos do pai dele em Dourados.
Em coletiva coletiva realizada na manhã de hoje na Delegacia Regional de Polícia Civil, com informações detalhadas sobre os avanços do caso, o delegado Lucas Veppo, chefe do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Dourados, revelou como a polícia reconstituiu o crime, descartou qualquer envolvimento da vítima com atividades ilícitas e identificou toda a cadeia de executores, mandantes e apoiadores logísticos.
Desde os primeiros minutos após o crime, a equipe do SIG esteve no local colhendo evidências, imagens de câmeras de segurança e ouvindo testemunhas. Segundo o delegado Lucas Veppo, a motivação inicial era nebulosa, uma vez que a vida de Vitor não apresentava qualquer histórico de ameaças ou conduta ilícita.
"Passei o primeiro final de semana inteiro em posse do aparelho celular do Vitor analisando conversas, informações, checando se havia envolvimento de outras pessoas... Tudo isso foi descartado. O telefone e o computador dele não tinham nada que indicasse ameaça pretérita ou envolvimento com atividades ilícitas", explicou o delegado.
A chave para elucidar o caso surgiu em uma mensagem recebida por Vitor na manhã da sexta-feira em que o crime ocorreu. A conversa tratava da negociação de um veículo, marcada para acontecer exatamente às 14h na garagem de seu pai — horário exato em que os atiradores invadiram o local.
As investigações avançaram rapidamente. Na terça-feira seguinte ao crime (dia 11), a Polícia Civil efetuou a prisão em flagrante do executor no assentamento Itamarati, em Ponta Porã, além da apreensão de um adolescente em Dourados.
O adolescente teve papel crucial na logística local:
Furto da moto: Furtou a motocicleta utilizada no crime na madrugada do dia 7.
Logística: Entregou o veículo aos executores vindos de Ponta Porã no horário do almoço.
Guia: Por ser morador de Dourados, guiou os atiradores (que não conheciam a cidade) até a garagem para identificar o local do crime.
O atirador, vindo originalmente de Brasília, já estava na região de fronteira há cerca de 3 ou 4 meses atuando no transporte de entorpecentes ("freteiro"). Ele contraiu uma dívida com criminosos na fronteira e aceitou cometer o homicídio para quitar a dívida e receber um valor complementar.
Ao ser interrogado, o executor revelou um dado crucial: assim que retornou a Ponta Porã, foi informado pelo contratante de que haviam matado a pessoa errada.
A confirmação do erro na execução veio com a prisão do piloto da motocicleta, capturado posteriormente na região de Ponta Porã. A dinâmica da confusão ocorreu por uma soma de fatores:
Desconhecimento do Alvo: Nem o atirador nem o piloto conheciam o verdadeiro alvo pessoalmente; eles haviam visto apenas fotos pontuais do indivíduo.
Coincidência de Horário e Local: A informação que os criminosos tinham era que o alvo estaria na garagem às 14h conversando com o pai de Vitor para negociar um veículo.
Apontamento Errado: Como Vitor estava no local e no horário exato combinado na falsa negociação, o piloto indicou Vitor ao atirador dizendo: "Olha, é aquela pessoa lá".
Desfazendo boatos de redes sociais, a Polícia Civil localizou e ouviu formalmente o homem que era o verdadeiro alvo da execução. O depoimento já está oficialmente juntado aos autos do inquérito.
O verdadeiro alvo e o mandante do crime — um empresário dono de academia em Ponta Porã — se conheciam há cerca de 15 anos e possuem histórico por envolvimento com o tráfico de drogas.
A Motivação: O empresário de Ponta Porã tinha uma dívida com o homem de Dourados que começou em R$ 240 mil e atualmente já ultrapassa os R$ 300 mil. Para não pagar a dívida, o empresário usou a falsa negociação de veículo para atraí-lo até a garagem.
O Atraso Salvador: O homem que deveria ser morto relatou que se atrasou resolvendo tarefas pessoais em uma loja de material de construção com a esposa. Quando finalmente se deslocava para a garagem, viu a notícia da morte de Vitor pela internet e percebeu a emboscada.
No dia 20, com o apoio da DEFRON e das delegacias de Ponta Porã, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
Prisão do Empresário: O dono da academia foi preso em Ponta Porã. Em sua residência foram apreendidas munições calibre .380 (o que gerou também auto de prisão em flagrante), R$ 10 mil em espécie e joias avaliadas em cerca de R$ 70 mil.
Situação dos Investigados: Os três adultos presos preventivamente (executor, piloto e o empresário mandante) foram transferidos para a Penitenciária Estadual de Dourados (PED). O adolescente segue apreendido na Unidade Educacional de Internação (UNEI).
Outros Envolvidos: A polícia ainda busca dois suspeitos que intermediaram a contratação dos atiradores e fizeram o transporte da dupla de Ponta Porã a Dourados em um veículo recentemente negociado.
O delegado Lucas Veppo destacou que, embora o inquérito principal esteja na fase final com evidências concretas e indiscutíveis da motivação financeira, as investigações continuam com a perícia dos telefones apreendidos para verificar a eventual participação de outros envolvidos.
Fake news
O delegado regional de Polícia Civil de Dourados, Adison Stiguivitis participou da coletiva e alertou sobre consequências sobre notícias falsas sobre o caso que teriam sido veiculadas na internet e reiterou que as investigações sobre o caso prosseguem. " As portas estão de portas abertas para receber qualquer pessoa que tenha alguma informação, que tenha alguma, é, algo que possa colaborar com a polícia no desenvolvimento das investigações. Estamos à disposição. E lembrando que, é, a internet não é terra sem lei.O que você posta ali, o que você fala,pode ser considerado um crime, pode gerar uma indenização cível" afirmou.
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