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Gaeco prende delegado e policiais por envolvimento com o tráfico - Marcelo Victor / Correio do Estado.
Por: Soares Filho | 25/09/2026 09:54
Investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu o envolvimento de pelo menos nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal, além de um delegado de polícia, em um esquema de desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína, que eram posteriormente entregues para traficantes revendê-las.
Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, 2 mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Terenos, pela Operação Infiltrados.
Um dos locais vistoriados ontem foi a casa do delegado Hoffman D’Ávila, que estava na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Contra ele também havia um mandado de prisão.
Antes da 6ª Delegacia de Polícia Civil, D’Ávila passou um período curto na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), cerca de 4 meses, entretanto, de 2019 até fevereiro deste ano ele comandou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
“O modus operandi adotado pela organização criminosa consiste no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão, nos registros formais, de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia. A droga desviada é então repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir o estupefaciente no mercado ilícito”, diz trecho de nota do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
“Ou seja, os policiais que integram a organização criminosa se valem de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuar como verdadeiros fornecedores para o tráfico”, completa a nota.
A organização criminosa foi descoberta em outubro de 2025, “a partir de provas fortuitamente descobertas nas Operações Traquetos e Blindspot, ambas do Gaeco, [que] revelaram a participação de vários policiais em um grandioso esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína”.

Gaeco levou objetos da casa do delegado Hoffman D’Ávila, que foi preso apenas durante a tarde - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado
SUMIÇO
Quando o Gaeco, acompanhado da Corregedoria da Polícia Civil, da Corregedoria da Polícia Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal (MPF), chegou ontem para cumprir o mandado de prisão e de busca e apreensão na casa do delegado, ele não estava no local.
Hoffman D’Ávila passou a manhã e boa parte da tarde desaparecido, porém, entregou-se à Corregedoria da Polícia Civil no fim da tarde de ontem, quando foi preso.
Além dele, outro preso seria o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, de 39 anos, conhecido como Paraíba, que foi exonerado recentemente.
Correio do Estado