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Crise no Ueno Bank leva presidente do Paraguai a renunciar


Santiago Peña anunciou a saída do cargo enquanto o Congresso discutia o impeachment por suposto conflito de interesses.
Presidente da República do Paraguai, Santiago Peña. Por: Soares Filho | 05/11/2026 15:45

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária envolvendo o Ueno Bank, instituição que teve as atividades encerradas após uma intervenção do Banco Central paraguaio por problemas de solvência.

Peña, de perfil conservador, era alvo de um processo de impeachment apoiado tanto pela oposição quanto por integrantes da base governista, situação que o deixou politicamente isolado. O presidente é acusado de conflito de interesses por sua ligação com o grupo controlador do banco digital, do qual foi acionista até março de 2025.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña pediu desculpas à população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e afirmou que decidiu renunciar "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas".

"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", declarou.

A crise bancária teve início após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção e o encerramento das atividades do Ueno Bank, deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. A instituição apresentava problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, uso indevido de recursos públicos e previdenciários, além de questionar a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição financeira.

Na manhã desta quinta-feira, a Câmara dos Deputados do Paraguai havia iniciado uma sessão extraordinária para discutir o pedido de impeachment. Parlamentares de diferentes bancadas, incluindo integrantes do Partido Colorado, anunciaram apoio à abertura do processo.

Com a apresentação da renúncia, caberá ao Congresso paraguaio decidir se aceita ou rejeita a saída do presidente. Caso a decisão seja aceita, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país até o fim do mandato, previsto para agosto de 2028.

Peña era aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrava o chamado Escudo das Américas, grupo de líderes latino-americanos alinhados politicamente ao republicano. Apesar da proximidade com Washington, o presidente paraguaio também mantinha boa relação com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

CapitalNews



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