Terca-Feira, 18 de Maio de 2021

Bolsonaro decidirá sobre reforma depois do Carnaval


Senador de MS, Nelson Trad Filho é cotado para assumir um ministério na reforma.
SENADOR. Trad disse que vai esperar as decisões do presidente - Foto: Agência Senado

O senador e líder da bancada do PSD no Senado Federal, Nelson Trad Filho (PSD), é cotado para assumir dois ministérios no governo Bolsonaro: Minas e Energia e Desenvolvimento Regional. Segundo o senador, que se diz favorável à reforma ministerial mesmo sem conquistar um cargo, ela deverá ocorrer apenas após o Carnaval.  

Já em relação às comissões, o senador revelou ao Correio do Estado que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), organizou uma reunião para esta semana e solicitou que eles entreguem suas indicações também após o recesso de Carnaval.

Não é de hoje que o nome de Trad é cotado para integrar o corpo de ministros do governo Bolsonaro.  

Seu nome passou a ser ventilado em decorrência do protagonismo como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que por muitas vezes foi acionada para apagar “incêndios” provocados pelo  ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo.  

O chanceler brasileiro segue a linha do núcleo duro do bolsonarismo, que já teve figuras como o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.  

Apesar de ter perdido força por diversos atritos com o núcleo militar do governo, que tem uma ideia política mais pragmática, essa ala “radical” ainda tem como expoentes, além de Araújo, o titular da pasta do Meio Ambiente, Ricardo Sales, além da influência dos filhos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.  

PÓS-ELEIÇÕES

Porém, seu nome ganhou ainda mais força em virtude de sua influência nas eleições para a presidência do Senado, que culminou com a vitória de Pacheco, apoiado por Bolsonaro. Como o PSD tem a segunda maior bancada da Casa e decidiu seguir a indicação do Planalto, tem força para negociar ministérios em uma possível reforma ministerial.  

Nesse jogo político, Trad foi um dos principais articuladores do apoio de seu partido, tese confirmada logo após a eleição, com a escolha dele como líder da legenda no Senado. Agora, Trad passa a ser cogitado para incorporar o comando de algum dos ministérios do governo Bolsonaro.  

O senador avalia como positiva a mudança de peças daqueles que incorporam o primeiro escalão do governo. 

“Esse tipo de arranjo serve para extinguir eventuais falhas que possam ter ocorrido nas pastas e injetar um gás novo nelas. Portanto, essa mudança pode ser muito benéfica ao País. Nesse tipo de indicação, todo governo tem dois critérios para a escolha de um nome: técnico e político. Nessa oportunidade, o presidente quer privilegiar o critério político, já que no nosso caso temos a segunda maior bancada tanto na Câmara como no Senado. Portanto, o nome do Nelson é levado em voga por conta da força do meu partido nas duas Casas”, disse.  

E complementou afirmando que “ainda não há nada definido, pois a palavra final é do presidente da República e eu não recebi nenhum convite dele para conversarmos sobre essas possibilidades. Além disso, meu partido precisa estar coeso para assumirmos um compromisso desse, pois, para eu assumir um possível posto no governo, há inúmeros fatores que devem ser levados em consideração”.

COMISSÕES

Igualmente a reforma ministerial no Executivo federal, a escolha dos nomes que vão compor as comissões só deverá ocorrer após o feriado de Carnaval. 

Trad revelou ao Correio do Estado que o presidente do Senado estipulou como data limite para entrega da lista dos partidos o dia 23, mas ainda não sabe quem comandará os principais colegiados, como Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Como eu já fui presidente da Comissão de Relações Exteriores, não poderia permanecer à frente, pois o regimento obriga a mudança dos comandantes dos colegiados a cada dois anos. Agora, como líder, também tenho minha função e, portanto, temos um regramento na Casa de oferecer protagonismo a outros parlamentares, deixando de forma equânime os poderes. Portanto, ainda não dá para adiantar quem vai comandar os colegiados no Senado”, concluiu.


Fonte: Correio do Estado