Segunda-Feira, 10 de Maio de 2021

IPCA: inflação oficial acelera em março, chega a 6,10% em 12 meses e supera teto da meta para 2021


Taxa ficou em 0,93% em março, maior alta para o mês desde 2015. Principais impactos vieram dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%).
FONTE: IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,93% em março, acima da taxa de 0,86% registrada em fevereiro. Com essa aceleração, o indicador acumulado em 12 meses estourou o teto da meta do governo para a inflação no ano, algo que não acontecia há quatro anos. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo de Geografia e Estatísticas IBGE..

A taxa de 0,93% "é o maior resultado para um mês de março desde 2015, quando foi registrada inflação de 1,32%", destacou o IBGE.

Os principais impactos na inflação do mês vieram dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%).

Salto de 6,10% em 12 meses

No ano, o IPCA acumula alta de 2,05%. Já em 12 meses, a inflação acumula alta de 6,10%, acima dos 5,20% observados nos 12 meses imediatamente anteriores e a maior para esse intervalo de tempo desde dezembro de 2016, quando ficou em 6,29%.

A taxa em 12 meses ficou pela primeira vez no ano acima do limite superior da meta de inflação estabelecida para este ano – o centro da meta é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Segundo o IBGE, a última vez que o indicador ultrapassou o teto da meta do Banco Central foi em novembro de 2016, quando ficou em 6,99%. Naquele ano, o teto da meta era de 6,5%.

Apesar de estourar o teto da meta para o ano, o IPCA veio abaixo das expectativas. Pesquisa da Reuters apontou que a projeção de analistas era de alta de 1,03% em março, acumulando em 12 meses alta de 6,20%.

O que mais pesou

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 6 tiveram avanço nos preços em março. Os Transportes tiveram a maior alta (3,81%) e o maior impacto 0,77 ponto percentual (p.p.) no índice do mês. Veja o resultado para cada um deles:

·         Alimentação e bebidas: 0,13%

·         Habitação: 0,81%

·         Artigos de residência: 0,69%

·         Vestuário: 0,29%

·         Transportes: 3,81%

·         Saúde e cuidados pessoais: -0,02%

·         Despesas pessoais: 0,04%

·         Educação: -0,52%

·         Comunicação: -0,07%

Gasolina tem alta de 23% em 12 meses

Segundo o IBGE, a gasolina (11,26%) foi o item que exerceu o maior impacto sobre o índice do mês, respondendo sozinha por 0,60 ponto percentual (p.p.) do IPCA de março, com variações que foram desde 6,32% em São Luís até 14,45% no Rio de Janeiro.

Os preços do etanol (12,59%) e do óleo diesel (9,05%) também subiram, contribuindo conjuntamente com mais 0,11 p.p. para a taxa de inflação de março.

No acumulado em 12 meses, o etanol tem alta de 25,19%, a gasolina de 23,48% e o diesel de 17,10%.

“Foram aplicados sucessivos reajustes nos preços da gasolina e do óleo diesel nas refinarias entre fevereiro e março e isso acabou impactando os preços de venda para o consumidor final nas bombas. A gasolina nos postos teve alta de 11,26%, o etanol, de 12,59% e o óleo diesel, de 9,05%. O mesmo aconteceu com o gás, que teve dois reajustes nas refinarias nesse período, acumulando alta de 10,46%, e agora o consumidor percebe esse aumento”, afirmou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

O segundo maior impacto sobre o IPCA do mês veio do grupo Habitação (0,81%), principalmente devido ao gás de botijão (4,98%), que acumula alta de 20,01% nos últimos 12 meses, e da energia elétrica (0,76%).

Alta nos preços de alimentos desacelera

A boa notícia para o consumidor, segundo o IBGE, é que a inflação do grupo Alimentação e bebidas continuou em desaceleração. Em março, a alta foi de 0,13%, após variações de 1,74% em dezembro, 1,02% em janeiro e de 0,27% em fevereiro. Vale lembrar que, em 2020, os alimentos tiveram alta de 14,09%.

Segundo o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, a desaceleração dos preços dos alimentos está relacionada à queda da demanda e pode, inclusive, ter influência da suspensão do auxílio emergencial, que não foi pago nos primeiros meses do ano, que impactou na redução da renda da população.

“Mas há, em alguns casos, também uma retenção de consumo. Nesse momento em que a pandemia se agravou e voltaram a ser estabelecidas medidas de restrição à circulação de pessoas e funcionamento do comércio, as pessoas compram menos alimentos perecíveis, dando preferência aos alimentos que podem ser estocados. O fechamento de restaurantes também provoca a redução do consumo desses alimentos”, apontou.

Entre os preços que caíram em março, destaque para o tomate (-14,12%), batata-inglesa (-8,81%), arroz (-2,13%) e leite longa vida (-2,27%). Por outro lado, o preço das carnes voltou a subir (0,85%), após alta de 1,72% em fevereiro.

Entre todos os subitens pesquisados pelo IBGE, os preços que mais subiram no acumulado em 12 meses foram os do óleo de soja (81,73%), arroz (63,56%) e do limão (62,29%).

 


Fonte: globo.com