Terca-Feira, 18 de Maio de 2021

CPI da Covid não fará perseguição, mas é preciso punir responsáveis por mortes, diz Renan


Senador do MDB foi escolhido relator da CPI da Covid nesta terça. Comissão deve apurar omissões e ações do governo federal na gestão da pandemia e eventuais desvios.
Renan Calheiros: 'A investigação será técnica, profunda, focada e despolitizada'

Escolhido nesta terça-feira (27) como relator da CPI da Cvid, o senador Renam Calheiros (MDB-AL) afirmou em seu primeiro discurso que a comissão não fará perseguições, mas que é preciso punir "imediata e emblematicamente" os responsáveis pelas mortes durante a pandemia.

Renan foi indicado relator pelo presidente da CPI, senador Osmar Aziz (PSD-AM), durante a instalação da comissão. A CPI será responsável por apurar ações e omissões do governo federal e eventuais desvios de verbas federais enviadas aos estados para o enfrentamento da pandemia.

"Não estamos aqui para maquinar ações persecutórias, não estamos aqui diante da atenção integral da nação e do mundo, para blindar, engavetar, tergiversar ou procrastinar. Tudo será investigado, como exige a Carta democrática, de maneira transparente, acessível", declarou o relator.

"O país tem o direito de saber quem contribuiu para as milhares de mortes, e eles devem ser punidos imediata e emblematicamente", acrescentou Renan, em outro trecho do discurso.

O Brasil soma quase 400 mil mortes por Covid. A média móvel de mortes no país nos últimos 7 dias chegou a 2.451 óbitos. O número de mortes em 2021 já supera o total de óbitos de 2020.

Alvo da Lava Jato e crítico da operação, Renan afirmou também que não será, na relatoria da CPI, "discípulo" do ex-juiz Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, "arquitetando" provas.

"Não somos discípulos de Deltan Dallagnol nem de Sérgio Moro. Não arquitetaremos teses sem provas ou power points contra quem quer que seja", acrescentou.

Combate ao 'negacionismo'

Em vários momentos, Renan disse que a CPI será pautada pela ciência, com a consulta a especialistas, e pelo combate ao "negacionismo".

"Nossa cruzada será contra a agenda da morte. Contrapor o caos social, a fome, o descalabro institucional, o morticínio, a ruína econômica e o negacionismo não é uma predileção ideológica ou filosófica, é uma obrigação democrática, moral e humana. Os inimigos dessa relatoria são pandemia e aqueles que, por ação, omissão, incompetência ou malversação, se aliaram ao vírus e colaboraram com o morticínio”, disse o emedebista.

Ainda no discurso, o relator da CPI disse que “intimidações” e “arreganhos” não vão detê-lo. Apoiadores de Bolsonaro, nas redes sociais, têm feito sucessivos ataques à escolha de Renan como relator. Apesar de “adversidades”, Renan disse não “eternizar” mágoas.

essão de abertura

Aliados do Palácio do Planalto tentaram impedir a indicação de Renan Calheiros para a relatoria. Durante a sessão, diversos parlamentares criticaram Renan por assumir o posto mesmo sendo pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Filho do presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), disse não ter dúvidas de que Renan atuará com parcialidade e tentará proteger governadores, entre os quais Renan Filho (MDB).

Apesar das críticas, o relator da CPI disse que os colegas "podem esperar" dele um trabalho "isento, objetivo, técnico, desapaixonado, destemido e colegiado".

"Sem medo de absolver quem merecê-lo e sem hesitação para imputar quem é responsável", declarou.

 


Fonte: GLOBO.COM