Sábado, 12 de Junho de 2021

Mais de 29 milhões de pessoas foram cortadas do novo auxílio emergencial


Obtido a partir de registros do Ministério da Cidadania, o número supera a previsão inicial de que 17 milhões ficariam fora da nova rodada
Foto: Ilustrativa
O auxílio emergencial estabelecido pelo Governo Federal neste ano vai beneficiar um número inferior ao divulgado inicialmente. Serão contemplados 39 milhões de brasileiros, segundo levantamento feito pelos organizadores do movimento Renda Básica que Queremos, responsável pela campanha #auxilioateofimdapandemia, a partir de dados divulgados pelo Ministério da Cidadania.
No ano passado, foram beneficiadas 68 milhões de pessoas. Neste ano, ficarão sem o benefício 29 milhões de brasileiros - justamente, os mais vulneráveis. Ou seja: quase metade dos que receberam no ano passado (43%). Em alguns estados, como em Minas Gerais, os cortes atingiram mais da metade do público de 2020, com redução de 52% na base de beneficiários. Em São Paulo, são mais de 5,7 milhões de beneficiários a menos.
Além da quantidade menor de brasileiros que terão acesso ao auxílio emergencial, os valores também foram drasticamente reduzidos. Atualmente, são três faixas: R? 150, R? 250 e R? 375. Segundo Paola Carvalho, diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica, uma das 300 organizações que participam da campanha, é muito cruel, neste momento de agravamento da pandemia e no qual as pessoas precisam ficar em casa para preservar a sua saúde, deixar de prestar socorro aos mais vulneráveis.
"Não temos vacina em quantidade suficiente e temos pesquisas que mostram o agravamento da fome no país. E o que o governo faz? Reduz a base de beneficiários, quando sabemos que não está cortando ‘gordura’, mas tirando quem mais precisa de proteção social neste momento", desabafa.
O novo valor do auxílio emergencial não é suficiente para comprar sequer 25% da cesta básica. O corte terá efeitos perversos também sobre a economia, especialmente o comércio, que luta para sobreviver diante de sucessivas restrições de funcionamento.
No ano passado, o auxílio emergencial ajudou a injetar R? 294 bilhões, creditados para mais de 68,2 milhões de pessoas que receberam ao menos uma parcela. Pesquisas indicam que 53% desse total foram destinados à compra de mantimentos. Os mais impactados serão os trabalhadores informais, MEI e desempregados.
Com o fim do benefício, em dezembro do ano passado, quase 27 milhões de pessoas voltaram à pobreza extrema no país, sem conseguir garantir o sustento de suas famílias. Agora, sem emprego e sem o auxílio, Paola teme que mais pessoas atravessem a linha da miséria, pois ainda não há trabalho nem perspectivas a médio prazo. Atualmente, o Brasil convive com o recorde de mais de 14 milhões de desempregados e 417 mil mortos pela Covid-19.

Fonte: Assessoria