Sábado, 12 de Junho de 2021

CPI cobrará de Wajngarten provas de “ineficiência” do Ministério da Saúde


Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouvirá nesta quarta-feira, 12, o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, que já disse ter provas de que a culpa pelo atraso na aquisição de vacinas contra a covid-19 da Pfizer foi do Ministério da Saúde. O depoimento é um dos mais aguardados pelos senadores, que esperam que ele apresente documentos e registros que comprovem a alegada responsabilidade da pasta.

Wajngarten afirmou, em entrevista à revista Veja publicada em 23 de abril, que o Ministério da Saúde agiu com "incompetência" e "ineficiência" durante as tratativas com a farmacêutica, que ofereceu 70 milhões de doses ao governo no ano passado. Segundo o ex-secretário, a Pfizer enviou uma carta ao ministério com a proposta, mas não recebeu resposta. Por isso, ele teria assumido a frente na negociação, com o aval do presidente Jair Bolsonaro.

O ex-secretário também deixa claro, na entrevista, que tem provas que confirmam que o Ministério da Saúde seria responsável pelo atraso das vacinas, como e-mails, registros telefônicos e cópias de minutas do contrato, além de testemunhas. Esse foi o motivo para que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentasse o requerimento para convocação de Wajngarten, aprovado em 5 de maio. A CPI quer acesso a esses documentos.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) também apresentou requerimento para convocação de Wajngarten, mas por considerar "necessário" que ele detalhe a conduta à frente da secretaria durante a pandemia. O senador busca esclarecimentos sobre “todas as questões de publicidade e comunicação oficial do governo relativas a isolamento social, vacinação, emprego de medicamentos sem eficácia comprovada, entre outros temas”.

Uma dúvida comum é sobre a falta de campanhas publicitárias de esclarecimento à população sobre medidas preventivas, como uso de máscara e álcool. "Ele [Wajngarten] era responsável pela política de comunicação do governo, e nunca foi muito claro no tocante às medidas necessárias para evitar a pandemia", disse Vieira, em entrevista coletiva, nesta terça-feira, 11.

A defesa de Bolsonaro ao "tratamento precoce" com remédios como a cloroquina será um dos pontos abordados pelos senadores. Os integrantes da comissão querem saber até que ponto a Secretaria de Comunicação da Presidência endossou e incentivou as declarações de Bolsonaro em defesa do tratamento precoce.

 


Fonte: Exame