Terca-Feira, 07 de Dezembro de 2021

Câncer de mama e gravidez: tratamento especializado pode salvar mãe e bebê


A probabilidade pode parecer pequena, mas é o tipo de câncer mais comum diagnosticado durante a gravidez
Divulgação

Do tão esperado teste positivo da gravidez ao diagnóstico de câncer de mama, um misto de sentimentos que pode atingir 1 a cada 3000 mulheres grávidas. A probabilidade pode parecer pequena, mas é o tipo de câncer mais comum diagnosticado durante a gravidez, amamentação ou no primeiro ano após o parto. Apesar do diagnóstico ser mais difícil em mulheres grávidas, principalmente pelos sintomas acometerem os seios
e serem confundidos com os da gestação, o tratamento pode ser realizado sem prejudicar a saúde da mãe e do bebê.
 
Os sintomas são os mesmos que acometem mulheres que não estão grávidas, sendo o mais comum o aparecimento de um nódulo na mama, que pode vir acompanhado de inchaço, dor, secreção com sangue ou de coloração amarelada pelos mamilos. Todavia, os cuidados são mais complexos para gestantes e começam ainda nos exames de diagnóstico, utilizando equipamentos alternativos, evitando a exposição à radiação.
 
“O ultrassom geralmente é o primeiro exame realizado para avaliar se há alteração na mama e é seguro pois não utiliza radiação. Com a alteração constatada, a biópsia mamária é indicada. Realizada com agulha e anestesia local, implica pouco risco ao feto”, explica Letícia França, oncologista clínica da Oncomed.
 
O tratamento vai levar em consideração alguns pontos importantes como o tempo de gravidez, tamanho e localização do tumor, estado de saúde geral e preferências pessoais da paciente. “Quando o câncer de mama é diagnosticado logo no início da gestação, não recomendamos tratamentos como quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia porque são mais propensos a prejudicar o bebê. Geralmente a cirurgia é a mais recomendada nesta fase da gravidez, mas é tudo dependerá do estágio da doença”, ressalta a oncologista.
 
Após a cirurgia, a quimioterapia surge como um tratamento adjuvante em alguns casos, realizada só após o primeiro trimestre de gestação, período em que há o desenvolvimento dos órgãos internos do bebê, o tratamento é realizado fazendo o uso de determinados medicamentos quimioterápicos não nocivos à saúde da criança. Em alguns casos, a quimioterapia pode ser adiada até o parto, porém é contraindicada após 35 semanas de gravidez ou três semanas antes do parto.
 
Outros tipos de tratamento não são seguros durante a gravidez e devem aguardar o nascimento do bebê. Ainda segundo a oncologista, os cuidados também estão presentes após o parto e na fase de amamentação. “A maioria dos medicamentos utilizados no tratamento passam para o bebê por meio do leite materno, então não recomendamos a amamentação durante a quimioterapia, hormonioterapia ou terapia alvo”.
 
O diagnóstico precoce é importante para a sobrevida tanto da mãe quanto do bebê. Os cuidados devem estar na realização de exames periódicos com o objetivo de garantir que a doença seja detectada em sua fase inicial. As mulheres acometidas por câncer de mama durante a gestação também devem contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar contendo obstetra, oncologista, mastologista e um psicólogo, essencial para o apoio emocional durante o tratamento.
 
Câncer de mama e pandemia – Com o isolamento social exigido pela pandemia de covid-19, muitas mulheres deixaram de realizar exames de rotina, inclusive a mamografia. Segundo um levantamento realizado pela Revista de Saúde Pública, o número de mamografias realizadas na rede pública diminuiu 42% em 2020 em comparação com o ano anterior. A diferença chega a 800 mil exames não realizados, que pode significar em torno de 4 mil casos de câncer de mama não diagnosticados em 2020.
 
É importante lembrar que mesmo na pandemia, as mamografias não foram suspensas e devem continuar sendo feitas, alinhadas sempre aos cuidados de biossegurança contra covid-19. O diagnóstico precoce do câncer de mama pode representar 95% de chance de cura e reduzir drasticamente as sequelas, traumas e custos com o tratamento.


Fonte: Diário MS