Segunda-Feira, 17 de Janeiro de 2022

Mercado externo deverá continuar ditando preços do boi gordo em 2022


Oferta no primeiro semestre de 2022 ainda deve ficar bem ajustada, sustentando os preços do boi
Foto: Ilustrativa

Em 2021, ficou evidente que, diante de uma demanda interna fraca, a oferta enxuta no campo e, de forma preponderante, a aquecida procura internacional – especialmente por parte da China – foram os fatores que levaram os preços da cadeia pecuária nacional a atingirem novos patamares recordes. E é muito provável que o mercado externo siga sendo o principal fator de influência sobre os preços internos da cadeia pecuária nacional em 2022.

A análise faz parte de nota técnica emitida pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, disponibilizado na sexta-feira, 7. 

A forte queda nos preços da arroba bovina observada entre setembro e outubro de 2021, após a suspensão dos envios de carne de boi à China – que durou pouco mais de três meses (do início de setembro/21 até meados de dezembro/21) –, mostrou que as vendas externas – especialmente ao mercado chinês – são de grande importância ao setor pecuário nacional.

Nos cálculos do Cepea, mesmo com os envios de carne crescendo para outros destinos nos últimos meses de 2021, como aos Estados Unidos, os embarques à China ainda representam quase metade de tudo o que é exportado pelo Brasil. Diante disso, é incontestável a necessidade de o Brasil buscar e fortalecer novos parceiros comerciais.

E o câmbio deve seguir favorecendo as exportações brasileiras em 2022. Em um ano de eleição no Brasil e de incertezas relacionadas à nova onda de covid-19 e suas possíveis consequências sobre a economia mundial, o dólar deve oscilar com certa força. De fato, na B3, a moeda norte-americana é negociada a patamares ainda superiores aos vistos em 2021. Esse cenário deve manter competitiva a proteína brasileira no cenário internacional. 


Fonte: CampoGrandeNews