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Por: Soares Filho | 16/07/2026 16:02
A abertura da janela oficial de plantio da soja em Mato Grosso do Sul, prevista para setembro, deverá ocorrer sob influência do fenômeno El Niño, já confirmado e com tendência de intensificação ao longo do segundo semestre deste ano. A expectativa é de chuvas ligeiramente acima da média entre agosto e outubro, porém as temperaturas elevadas e a distribuição irregular das precipitações exigirão atenção dos produtores na definição do momento ideal para a semeadura.
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), agosto e boa parte de setembro ainda fazem parte do período de transição entre a estação seca e o início das chuvas. Além disso, as previsões apontam temperaturas persistentemente acima da média e alta probabilidade de ondas de calor, cenário que aumenta a evaporação e reduz rapidamente a umidade disponível no solo.
As projeções climáticas para setembro e outubro são mais favoráveis do que as registradas no mesmo período do ano passado, especialmente nas regiões sul, centro e leste do Estado. Caso as chuvas ocorram com boa regularidade, a expectativa é de condições favoráveis para a implantação antecipada das lavouras, principalmente em áreas com boa cobertura vegetal e maior capacidade de retenção de água.
Na avaliação agronômica, a fase de implantação da lavoura é uma das mais sensíveis do ciclo da soja. A cultura depende de umidade adequada para garantir a germinação das sementes e o estabelecimento uniforme das plantas. Em situações de calor intenso e chuvas irregulares, aumentam os riscos de falhas no estande, necessidade de replantio e redução do potencial produtivo.
Por outro lado, realizar a semeadura logo após o estabelecimento consistente das chuvas traz vantagens importantes. Em Mato Grosso do Sul, onde predominam cultivares com ciclos entre 90 e 120 dias, o plantio entre a segunda quinzena de setembro e o início de outubro favorece que as fases de florescimento, formação de vagens e enchimento de grãos coincidam com períodos historicamente mais favoráveis em relação à disponibilidade hídrica.
A antecipação do plantio também contribui para reduzir os riscos relacionados à ferrugem-asiática, além de ampliar a janela para o cultivo do milho segunda safra, aumentando as chances de implantação da cultura em condições climáticas mais adequadas.
"Outro diferencial está na adoção de sistemas conservacionistas. Áreas conduzidas com boa cobertura de palhada, maior teor de matéria orgânica e adequada estrutura física do solo apresentam maior capacidade de infiltração e armazenamento de água, reduzindo os impactos de eventuais irregularidades climáticas e proporcionando maior estabilidade produtiva", destaca o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta.
Diante desse cenário, a recomendação é que os produtores acompanhem constantemente as previsões meteorológicas, avaliem a umidade do solo antes da semeadura e adotem práticas de manejo que preservem a cobertura vegetal, aumentando a segurança para o estabelecimento da safra.
Outro ponto de atenção é o calor acima da média previsto para todo o trimestre, condição que também eleva o risco de incêndios em áreas rurais e exige cuidados redobrados durante as operações agrícolas.
Capital News